Voltar ao início


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Teste-se
Cinco alternativas podem revelar seu estado de espírito?

Ao se deparar com o garoto que você paquera beijando uma outra menina você: A) Sai correndo dali e se tranca em algum lugar para chorar. B) Arma um escândalo na mesma hora. C) Nem liga, pois você também está ficando com outro. Se sua resposta foi A, B ou C, tanto faz, a única coisa que se pode constatar, por enquanto, é que você é uma daquelas pessoas que não resiste a responder um bom teste.

Geralmente publicados em revistas dirigidas ao público feminino, os testes de comportamento acabam se tornando ótimos atrativos para o aumento das vendas. Tanto que muitas publicações, habituadas a oferecer algumas páginas de testes em suas edições, chegaram a lançar números especiais recheados só com esse tipo de material – é o caso da revista Capricho ou da Atrevida, ambas voltadas para meninas adolescentes.

Uma explicação para o sucesso e o fascínio que os testes despertam é dada pelo professor de Psicologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, Sandro Caramaschi. Ele diz que as pessoas se sentem incluídas a um grupo ao darem as respostas. Caramaschi percebe também que, “muitas vezes os testes são acompanhados por dicas ou conselhos que, de certa forma, orientam as pessoas em suas vidas”.

A estudante de jornalismo da Unesp, Tatiana Cavalcanti já trabalhou na revista Capricho e conta que os testes eram feitos ou revisados por profissionais da área. Ela mesma, em uma ocasião, chegou a criar um teste. “Eu inventei as perguntas e respostas e depois enviei para a edição de uma psicóloga”, diz. Tatiana também pôde atestar o sucesso dos testes entre as leitoras pelo número de e-mails sobre o assunto que chegavam à redação.

A criação no caso da revista Nova é um pouco diferente. Na verdade, a Nova apenas traduz o material que chega pronto da rede Cosmopolitan, à qual é afiliada. Luciana Trafani, da seção “atendimento ao leitor”, diz que os testes são confiáveis e que a os resultados obtidos devem sim ser levados em conta. Para Rosian Gênesis, estudante de Pedagogia, antes de confiar é importante saber julgar com o bom senso a qualidade dos testes. Ele que é um viciado assumido diz não se lembrar quando começou com essa mania, mas sempre acreditou nos resultados. “(os testes) são elaborados, geralmente, com base em padrões de comportamento fornecidos pela Psicologia, Psicanálise, Ciências Sociais e demais ciências humanas”, diz. Rosian tem uma opinião sobre o motivo que leva as pessoas à responderem, para ele a falta de conhecimento interior faz com que se procure respostas padronizadas, e os testes oferecem isso.

Mas nem todos encaram as perguntas de uma forma tão séria. Para a publicitária Juliana Rodrigues, 21 – que começou a responder com 12 e nunca mais parou -, tudo não passa de entretenimento. “Encaro como uma brincadeira, os teste não dizem quem eu sou ou mesmo como devo agir”. Para o professor Caramaschi, não há nenhum problema em responder aos testes se for com uma postura descontraída como a de Juliana, mas ele adverte que, “para um perfil completo e tecnicamente adequado a pessoa deve procurar um profissional já que não existem respostas fáceis e diretas”.

Yara Picchetti, estudante de psicologia da Universidade de São Paulo (USP), tem hoje 21 anos e conta que respondeu testes dos 12 aos 15. Ela usava aquilo para verificar se os resultados obtidos eram de acordo com a idéia que já tinha de si própria e só levava a coisa a sério se combinasse com o que ela já pensava sobre sua personalidade. Para Yara os testes não são verdadeiros. “O estado de uma pessoa pode variar muito mais do que 5 alternativas”, diz.