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Outs: o bar sem saída
Uma noite no badalado bar da Augusta


Banda Capim Maluco e os amplificadores superpoderosos do bar

Estávamos na frende do bar Outs em São Paulo. Foi depois de andarmos por cima de seis estações do metrô – da Vila Mariana até Consolação, emprestarmos o isqueiro para um segurança acender seu charuto e de termos ouvido de algumas pessoas, em pontos diferentes do percurso, que a Augusta ficava cinco ruas para frente. Estávamos lá.

Descer a Augusta da Paulista até o bar significa ser convidado umas 15 vezes por caras de camisa, gravata e cigarro para ver mulheres dançando e se esfregando em canos e em você. Quando não oferecem algum tipo de prática sexual já assim, de cara limpa.

R$20 de consumação dava direito à entrada no Outs. Naquela noite seriam três bandas. A primeira nós perdemos, a segunda não lembro do nome e a terceira era Capim Maluco – que ouço agora na página deles no site Trama Virtual. Sobre as bandas o que tenho a dizer é que a segunda da noite era uma tentativa de Franz Ferdinand brasileira. Pelo menos o vocalista era carioca sempre que falava no microfone. As duas guitarras explodiam nos dois amplificadores enormes que o bar têm no palco. E o vocalista pulava no estilo Mick Jagger alucinado – não sei se essa impressão veio de um show do Rolling Stones que era projetado na parede. Lembrei-me de uma certa banda indie bauruense que tinha um vocalista desagradável. Mas a banda se deu bem na noite. Músicas agitadas para uma galera que queria aquilo mesmo. A segunda banda começava Sonic Youth e terminava... Sonic Youth. O começo era a a fase melodiosa mais recente da banda novaiorquina, e o final era ruído com uma linha constante na bateria. No meio das músicas o guitarrista inventava uns solos, e o vocalista gritava como um metaleiro. Fora isso, a banda é muito legal. Capim Maluco.

Antes da segunda banda subir ao palco, demos uma explorada no bar que consiste em dois andares. No de baixo rolam os shows na parte do fundo, tem o bar principal à direita– que cobra R$4 por uma latinha de cerveja e uns sofás e cadeiras no lado esquerdo. A escada de acesso ao segundo de cima fica perto da porta, do lado direito de quem entra. Lá fica a pista de dança com um Dj que, segundo a desconfiança do meu amigo, é também o dono do bar. O segundo andar é bem escuro e quente. No fundo tem um mini-bar e uns poucos lugares para se sentar.

Entre a segunda e a terceira banda, meu amigo resolveu perguntar para o barman se dava pra pagar a conta com o cartão de débito Mastercard. Para o nosso desespero, ele disse que não. Mastercard não rola. Eu falei que era Mastercard Maestro igual ao do adesivo que estava colado sobre o balcão. O barman foi até o caixa, voltou com uma tesoura e arrancou o adesivo de cima da mesa. “Mas cara, nós só temos R$35 e precisamos pagar quarenta pelas nossas comandas, o que a gente faz?”, perguntamos. Ele disse com um olhar complacente que não haveria problemas, era só a gente conversar com a moça d o caixa. A moça foi chamada para a conversa. “Não vai ter jeito, vocês vão ter que pagar os quarenta”, ela nos deixou desesperados. A gente realmente não tinha o dinheiro. Falamos do adesivo ela falou que alguém tinha colado ali, não ela. Será que as pessoas andam por aí com adesivos do Mastercard Maestro para colar nos lugares? Depois de muito desespero ela perguntou para meu amigo se o cartão dele tinha senha. Imagina a surpresa da pessoa com uma pergunta dessas. Ela insistiu, “quando você vai pagar tem que digitar uma senha?”. Teeem, respondeu meu amigo. “Aaaahh, então aceita!!”. Ufa!

O que falta falar do bar é que ele é completamente fechado e um segurança fica na porta o tempo todo. Estava complicado bolar um plano de fuga na cabeça para o caso de não termos o suficiente pra pagar a conta. Ainda mais depois daquelas três bebidas vermelhas de cinco R$5 cada que resolvi tomar.